O Brasil vira vilão do mundo


 Há décadas o Brasil cultiva a imagem de potência do futuro. A nação exerceu um inteligente “soft power” nos últimos 50 anos com sua força econômica e riqueza natural. Não mais. Pouco mais de dois anos de governo Bolsonaro foram suficientes para isolar o País e jogar sua reputação na lama, como uma Nação de quinta categoria. A percepção predominante é de que o País perdeu o bonde da história. Não conseguirá entrar no clube dos países ricos nem resolver seus graves problemas estruturais. Para os brasileiros, não se trata apenas de ter as portas fechadas em quase todos os países. Eles agora são vistos como cidadãos de segunda classe, e passaram a sofrer com a xenofobia e o preconceito no exterior.

Não é apenas pela resposta catastrófica à emergência na Saúde que o prestígio do País está comprometido. Na área climática, em que sempre foi uma referência, o País passou a ser antiexemplo. A Cúpula do Clima, organizada por Joe Biden com as principais nações do planeta, mostrou o Brasil como vilão mundial. Em seu maior teste internacional, Bolsonaro moderou a pregação negacionista, mas o esforço foi em vão. Chegou às vésperas da reunião, nos dias 22 e 23, como um corpo estranho. Num discurso cínico, até com gravata verde, apresentou o Brasil como vanguarda na luta ambiental e destacou a preocupação com a população local e os índios. Comprometeu-se com as mesmas metas já estabelecidas no Acordo de Paris (e que só devem ser cumpridas pelos próximos governos) e prometeu duplicar os recursos para fiscalização. É um deboche. Apenas no ICMBio, essas verbas caíram 47% desde o início de sua gestão.

Fonte: Isto È

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