O Brasil poderá ter 3 mil óbitos por dia prevê Ministério da Saúde


De acordo com o Valor Econômico, a projeção da pasta é de três mil mortes diárias por Covid-19 durante um período.



A piora, de acordo com a publicação, é atribuída à circulação de novas variantes do coronavírus, ao iminente colapso do sistema hospitalar em todo o País, à lentidão da vacinação e à baixa adesão da população às medidas de isolamento social.

Em entrevista nesta semana ao El País, o médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade de Duke (EUA) Miguel Nicolelis afirmou que a possibilidade do País ter mais de três mil óbitos diários passou a ser real.

“Nós podemos ter a maior catástrofe humanitária do século 21 em nossas mãos. A possibilidade de cruzarmos 3.000 mortes diárias nas próximas semanas passou a ser real. Se você tiver 2.000 óbitos por dia em 90 dias, ou 3.000 óbitos por 90 dias, estamos falando de 180 mil a 270 mil pessoas mortas em três meses. Nós dobraríamos o número de óbitos. Isso já é um genocídio, só que ninguém ainda usou a palavra", afirmou.

A previsão de recorde no número de mortes é a soma de diversos fatores, como as aglomerações de fim de ano e do carnaval, o crescimento na transmissibilidade do vírus, a queda dos índices de isolamento social, as novas cepas e o colapso hospitalar em diversos estados.

Ao mesmo tempo, a vacinação acontece a passos lentos. Até o momento, 7,6 milhões de brasileiros receberam pelo menos a primeira dose do imunizante, mas o país não tem doses suficientes para que o número cresça substancialmente.

Segundo o Valor, o Ministério da Saúde olha com cautela para a região Sul do país. No Rio Grande do Sul a ocupação de leitos de UTI ficou em 100% ao longo da semana. Já Santa Catarina está transferido pacientes com covid-19 para o Espírito Santo.

São Paulo, na avaliação do ministro, tem conseguido evitar o pior porque tem a maior rede hospitalar do país. Mas, se houver um colapso na saúde paulista, a situação do Brasil pode ficar ainda pior.

Mesmo com a avaliação pessimista da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) continua menosprezando a crise sanitária vivida pelos brasileiros. “Tem idiota que diz 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe. Não tem para vender no mundo”, queixou-se o presidente.


Bolsonaro disse na última quinta-feira, 4, que “nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas. Respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades, mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”




Com informações da Carta Capital e  Yahoo

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